Texto Original: Piauí Negócios.
Começo minha reflexão fazendo o seguinte questionamento: Por que, em pleno 2025, ainda existem empresas que negligenciam a proteção de sua propriedade intelectual, mesmo sabendo que o valor de mercado das empresas está cada vez mais vinculado a ativos intangíveis?
Segundo o estudo “Global Intangible Finance Tracker 2023” da Brand Finance, a soma do valor dos ativos intangíveis das 100 maiores empresas do mundo ultrapassou os US$ 79,4 trilhões. O dado é expressivo e revela algo preocupante: muitas empresas brasileiras ainda não despertaram completamente para o valor estratégico dos seus ativos intangíveis.
Em um ambiente onde a inovação é a alma do negócio e a diferenciação é questão de sobrevivência, proteger a propriedade intelectual deveria ser prioridade estratégica — e não mera burocracia. No entanto, o que se vê no cotidiano é o oposto: empresários talentosos que desenvolvem soluções únicas e escaláveis, mas deixam suas criações vulneráveis, sem registro, sem contrato, sem blindagem jurídica. É como construir uma casa de vidro no meio da cidade e esquecer de trancar a porta. E o pior: entregar as chaves para a concorrência.
A depender da estratégia da empresa, a propriedade intelectual pode ser convertida em receitas diretas (licenciamento, franquias, royalties) ou reforçar o valuation das startups em uma rodada de investimento. O investidor, aliás, olha isso com lupa: uma inovação desprotegida é uma inovação vulnerável.
Quando observamos as empresas mais valiosas do mundo, há um padrão incontestável: todas elas construíram verdadeiras fortalezas de propriedade intelectual. A Amazon possui centenas de patentes em logística e computação em nuvem. O Google domina algoritmos de busca. A Microsoft protege suas inovações em software. E tudo isso não é coincidência – é estratégia.
Quer outros exemplos? A Nubank tem mais de 80 marcas registradas no INPI, além de pedidos de patente em várias jurisdições. Já a Magalu, ao apostar em um ecossistema digital próprio, também blindou o nome de cada um de seus produtos e serviços, inclusive suas personagens virtuais. Esses movimentos não são apenas jurídicos, mas comerciais. Eles dizem ao mercado: “isso é nosso, fomos os primeiros, inovamos com segurança”.
E não estamos falando aqui só de marcas. Softwares, design de produtos, algoritmos, processos, know-how, modelos de negócios, slogans e até mesmo conteúdos digitais podem (e devem) ser protegidos.
A propriedade intelectual permite que a empresa esteja protegida e tenha um diferencial mercadológico diante das outras existentes no mercado, trazendo mais oportunidades de negócio. Para as empresas brasileiras, especialmente startups e negócios inovadores, essa proteção representa a diferença entre ser copiado ou ser referência.
Então, caro leitor: o que sua empresa tem feito para proteger o que ela mesma criou? Sua marca, seu software, sua solução? Estamos preparados para reconhecer que a propriedade intelectual não é custo, mas investimento? Que ela não é obstáculo à criatividade, mas uma ferramenta estratégica para a inovação? O tempo de agir é agora, porque, na era da economia da inovação e na sociedade digital, quem não protege, entrega. E quem entrega, desaparece.
Autor: Eduardo H. Tobler Camapum – advogado, mestre em Propriedade Intelectual e especialista em Direito Digital.


