Texto Original: Piauí Negócios.
A inovação aberta no setor público tem se mostrado um caminho estratégico para modernizar serviços e reduzir custos. A avaliação é do advogado piauiense e mentor de startups Eduardo Tobler.
Segundo ele, a aproximação entre poder público e startups, conhecidas nesse contexto como GovTechs, gera ganhos tanto para o governo quanto para a iniciativa privada.
“A importância da inovação aberta no setor público para a economia está justamente nessa ponte: o poder público passa a fazer parcerias com empresas, como as startups. Isso permite que estas ampliem seus mercados, oferecendo soluções não apenas a clientes privados, mas também ao governo”, explica.
Tobler tratou do assunto durante a aula inaugural do curso “Inovação e Controle no Setor Público”, promovido pelo Centro de Eficiência em Sustentabilidade Urbana (CESU Teresina) em parceria com o Tribunal de Contas do Estado do Piauí (TCE-PI) e a Fundação Cultural e de Fomento à Pesquisa, Ensino, Extensão e Inovação (Fadex).
O curso, realizado no final de setembro, buscou capacitar gestores públicos e técnicos governamentais para compreender os fundamentos da inovação aberta. “Nós focamos na aplicação prática em compras públicas de inovação, explorando aspectos legais, operacionais e de controle, para promover contratações mais eficientes”, conta Tobler.
Entre as startups do Piauí que já atenderam ou atendem o poder público, Tobler destacou a Foco Smart, que reduz em até 40% os custos de prefeituras e câmaras municipais com publicações de atos oficiais, e a Ninho do Verde, que atua com compostagem urbana em diferentes frentes, empresarial, residencial e governamental, além de desenvolver programas de educação ambiental.
“O poder público começa a perceber que pode encontrar respostas para seus problemas em soluções externas, mais inovadoras e tecnológicas. Basta lançar o edital e permitir que as startups apresentem suas propostas. Se a solução funciona, é contratada”, explicou.
De acordo com Tobler, o movimento GovTech no Piauí começou a se estruturar entre 2017 e 2018, mas só nos últimos dois anos ganhou maior fôlego.
“Hoje, já vemos editais mais consistentes e um interesse crescente do poder público. Esse modelo é vantajoso porque acelera a inovação e traz eficiência ao serviço público sem exigir grandes esforços internos”, resumiu.
Entrevistado: Eduardo H. Tobler Camapum – advogado, mestre em Propriedade Intelectual e especialista em Direito Digital.


